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sexta-feira, 29 de abril de 2016

Métodos Aprimorados

   Ao final de cada temporada eu sempre realizo uma abordagem pessoal à respeito de tudo o que realizei profissionalmente no ano que se finda, à fim de me reciclar para o ano seguinte. Assim como a ciência evolui constantemente, esse processo também me abrange e essa somatória de novas tendências se mesclam aos meus conhecimentos e experiência profissional de 28 anos trabalhando no Futebol Profissional.

   Sempre fugi bem do convencional e principalmente a partir de 2012, quando iniciei uma nova etapa profissional no Continente Asiático, depois de já ter implantado métodos de treinamento mais arrojados na equipe Libanesa do Olimpic Beirut F.C. nas temporadas 2002/03/04, passei a observar mais atentamente ainda esses mesmos métodos empregados por mim para o desenvolvimento da Resistência Aeróbia, Resistência Especial (Aeróbio / Anaeróbio), Força Especial (força máxima, explosiva e de resistência), Velocidade de Movimento Resistência de Velocidade.



   Minhas análises se aprofundam pelos Meios de Treinamento, Intensidade dos mesmos e o seu Volume.

  Com isso passei a adicionar novos componentes, principalmente quando da realização dos trabalhos de força, pois sempre tive em mente que a redução do número de lesões é a chave de um programa de Força bem sucedido.
  Desde o início de 2012/13 na equipe sul-coreana do Daegu F.C., passando também em 2014 pela equipe sul-coreana do Gyeongnam F.C., até o final de 2015 na equipe chinesa do Changchun Yatai F.C., a incidência de lesões musculares e ligamentar (LCA) não ultrapassaram 4 casos, sendo nenhuma de LCA.
   Isso vem a comprovar o excelente trabalho em equipe que sempre primei em realizar por todos os clubes por onde tenho trabalhado, somado à uma metodologia de treinamento eficaz e que respeita as especificidades das ações motoras nas quais os atletas estão envolvidos nos jogos, além do correto desempenho dos mesmos quando da realização de cada sessão de treinamento onde a qualidade de execução dos movimentos deve ser observada à risca por todos.

   Aproveito apenas para fazer um adendo para um fato muitíssimo raro que ocorreu ano passado - 2015 - onde não obtivemos nenhum caso de lesão MUSCULAR ou Ligamentar LCA na equipe chinesa do Changchun Yatai F.C., time que disputa a 'Chinese Super League', mas sim apenas traumas diretos, entorses e mialgias, tudo muito simples e dentro de um padrão de normalidade no futebol.
   Nesse caso específico, segundo o excelente livro "AVANÇOS NO TREINAMENTO FUNCIONAL" do magnífico autor MICHAEL BOYLE, na página 4, ele afirma que apenas uma intervenção divina pode evitar uma lesão e foi isso que realmente aconteceu, pois sempre entrego meu trabalho nas mãos de Deus todos os dias. Mas, evidentemente, nunca deixei de executar minhas funções como preparador físico, pois Deus jamais vai realizar aquilo que está ao nosso alcance e temos por obrigação fazer.

   As lesões jamais serão evitadas mas podemos minimizá-las através de uma conscientização constante junto aos nossos atletas sobre seu estilo de vida dentro e fora do seu ambiente profissional, além do emprego de uma metodologia de treinamento que qualifique a mecânica das suas capacidades motoras.
   Em 1992 quando comecei a trabalhar na equipe do Mogi Mirim Esporte Clube, ano em que o atleta RIVALDO iniciou sua carreira no âmbito profissional conosco, todos os aquecimentos eram realizados em formato de jogos bem dinâmicos e específicos em sua parte final, já induzindo os atletas à uma prévia da atividade a que seriam submetidos no treinamento técnico a posterior.

   Desde então me coloco a estudar novos e específicos formatos de treinamento para cada Capacidade Motora, e um exemplo prático para tal procedimento é a execução, na grande maioria das vezes, do trabalho de Força (agachamento), com apoio Unipodal,  já que os músculos que suportam o membro inferior quando deste apoio (quadrado lombar / glúteo médio / adutores), não são tão ativos nos exercícios que utilizam as duas pernas.
   Basta analisarmos quantas atividades os atletas realizam, utilizando-se de apenas um dos membros inferiores, tanto em treinamentos como nos jogos.
   Quando o atleta possui os Glúteos com um déficit de Força, os músculos ISQUIOTIBIAIS (não importa o quão fortes estejam) tem a tendência de se lesionar mais facilmente.
   Inicio os trabalhos de Força com agachamentos utilizando o apoio nas duas pernas em base sólida e após um período de adaptação (individual), passo ao agachamento em  Superfície instável, sendo que somente após a adaptação e assimilação desses dois mecanismos, é que realizo o mesmo procedimento mas com a utilização de apenas uma perna e ainda sem pesos extras.
   Para efeito de cargas extras, primeiro os movimentos inadequados e indesejáveis devem ser corrigidos através desse sistema simples de exame do potencial de lesão FMS (FUNCIONAL MOVEMENT SCREENING - ANÁLISE FUNCIONAL DO MOVIMENTO),  por onde se observa os padrões de movimento e desequilíbrios bilaterais, e com essas referências possamos corrigir a postura e orientar qualitativamente o movimento correto e seguro para o implemento de cargas extras com anilhas ou barras livres, nos propiciando a segurança devida para a execução dos treinamentos de força.

   Nesse estágio de instabilidade o atleta deve empregar os Motores Primários, os Estabilizadores e os Neutralizadores ao mesmo tempo em que lida com um estímulo PROPRIOCEPTIVO adicional  fornecido pela INSTABILIDADE.
   Nós jamais podemos nos esquecer que a técnica na execução de todos os treinamentos e principalmente os que envolvem a Força, vem em primeiro lugar e, em caso de dúvida, sempre deve-se reduzir o peso utilizado ou ministrar um exercício mais simples.
   Sempre que as curvas fisiológicas da coluna estiverem preservadas, nada de ruim pode acontecer, mas o excesso de arredondamento ou arqueamento pode ser um problema.

   Temos a disposição atualmente muitas e variadas ferramentas que podemos utilizar para o desenvolvimento, acompanhamento e aprimoramento dos nossos treinamentos, e isso pode ser executado em qualquer lugar, pois tenho realizado a minha metodologia com muita segurança e sucesso em vários países como o Líbano, Coréia do Sul, China e Brasil.

   Eu particularmente primo pela segurança em primeiro lugar, pois sei que a qualidade do meu trabalho diário precedido por ela irá sempre proporcionar uma tranquilidade para os atletas sob o meu comando e um custo menos elevado para os clubes que, consequentemente, se beneficiarão da presença mais constante dos seus atletas na grande maioria dos jogos da temporada.

Walter Grassmann

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sábado, 15 de fevereiro de 2014

A Arte da Adaptação - 2

Continuação... (para ler a primeira parte dessa postagem, clique aqui!)

   A Força é a capacidade neuromuscular de superar uma resistência externa e interna.

FORÇA MÁXIMA: Nomeada igualmente como força absoluta, depende das características biomecânicas de um movimento, como por exemplo a força de alavanca, o grau de participação dos grupos musculares e a magnitude de contração dos músculos envolvidos.

   Em acréscimo, a Força Máxima é também uma função da intensidade de um impulso, o qual dita o número de unidades motoras envolvidas e sua frequência.

FORÇA RÁPIDA (ou de Velocidade): se manifesta na capacidade de superar uma resistência com alta velocidade de contração muscular.

FORÇA DE RESISTÊNCIA: É a capacidade do organismo de resistir à fadiga durante trabalho de força prolongada.

   O trabalho de Transferência de Força foi o meu carro chefe (tenho aqui em meu blog uma postagem exclusiva sobre esse trabalho - clique aqui para conferir!). Como na China o período de Pré-Temporada é bem longo (90 dias + ou -), pude realizá-lo até duas vezes na mesma semana mas com variações quanto à sua sequência final (saltos e piques) ou mantendo os saltos e utilizando um trabalho de Resistência de Velocidade com um tempo de execução de até 40'', com os atletas sempre divididos em grupos respeitando suas devidas posições e em horários diferentes para que as orientações e controle dos movimentos em cada etapa do treinamento fossem ainda mais precisos.

   Com esses procedimentos adotados, quando o grupo dos Alas estava terminando, o grupo dos Zagueiros, por exemplo, estava chegando para realizar o devido trabalho de aquecimento; por conseguinte, os Alas, terminando o seu treino, eram direcionados para o trabalho de recuperação nas piscinas, e assim por diante.

   Além de todo esse controle, a hidratação dos atletas com o seu número reduzido, também era mais precisa, sendo esse um fator importantíssimo durante a execução de qualquer treinamento.

   Eu também sou um grande adepto dos treinamentos onde se englobe Força Máxima, Rápida e Resistência de Força em um mesmo sequencial de trabalho.

   Eu chamo esse trabalho de Sequencial Casado, onde pode-se usar a criatividade amalgamada à ciência para que os atletas realizem de forma controlada os vários tipos de Força simultaneamente, assim como acontece nas partidas.

   Os atletas são subdivididos em grupos respeitando as suas posições de origem, com cada grupo vestindo coletes de cores variadas.

   Geralmente utilizo 3 sequências diferentes e loco os atletas da seguinte forma em cada um deles:
  1. Trabalho de Força Máxima na academia, utilizando-se apenas alguns aparelhos para os membros inferiores: Panturrilhas - Quadríceps - Isquiotibiais - Adução - Abdução - Meio Agachamento ou Leg Press, com uma carga de 70% da máxima e em 2 séries no mesmo aparelho antes da mudança, com 8 a 10 repetições em um ritmo moderado de execução para o concêntrico e lento para o excêntrico (Observação: para os Adutores e Abdutores eu não realizo o teste de carga máxima, e apenas anoto e controlo o peso inicial utilizado pelos atletas para posterior acréscimo individual.).
  2. Campo reduzido com duração variando entre 6 e 8 minutos, e os atletas sendo orientados para variacões de 1, 2 toques e livre também (RITMO INTENSO COM A BOLA NÃO PARANDO).
  3. Trabalho tracionado localizado com ou sem o uso das bolas para cabeceios, devoluções, dribles, passes, etc (alternar as situações), e com períodos de execução entre 20 segundos ativo por 40 passivo, entre 4 a 6 séries.

   Todos os atletas passam por esses 3 sequenciais de 4 a 6 vezes, sempre com descanso entre cada sequencial de 2 minutos e, entre cada passagem completa, 4 minutos para a correta e necessária hidratação.

   Para os primeiros trabalhos da temporada, eu recomendo apenas 2 passagens iniciais como forma de adaptação, pois as dores musculares tardias (até 48 horas após a sessão de trabalho) se instalam principalmente nos Adutores, Isquiotibiais e Glúteos, sendo também sentidas na região Lombar.

   Eu utilizo também muitas outras variações que descrevo abaixo, mas que preferencialmente as agrupo após uma reunião com a Fisiologia e demais Preparadores para que possamos casar os melhores métodos.
  1. Transferência de Força (Meio Agachamento - Subida no Banco - Afundo)
  2. 300m (60 x 50m - 12 x 25m) ou 200m (4 x 50m - 8 x 25m) com intensidades entre 15 e 22 km/h.
  3. Circuito de campo contínuo (6 a 8 estações)
  4. Trabalho Tracionado Progressivo por 20 metros, em diversas situações como deslocamentos diagonais, arranque com saltos, descocamento contínuo, costas, deslocamentos laterais, etc.
  5. Trabalho Tracionado por 10 segundos, seguido de 4 a 6 saltos rápidos sobre barreiras entre 40 a 60cm e arranque em direções variadas com metragens variando entre 10 a 30 metros (vai e vem - contínuo - diagonais) e até com chute a gol.
  6. Saltos variados sobre as barreiras (4 a 6) entre 40 a 60cm e velocidade em metragens variando entre 15 e 30 metros, com e sem bola, podendo realizar dribles e arremates a gol.

Clique na imagem para ampliá-la!
   Além da Força, outros trabalhos também foram adotados em nossas programações, mas sempre obedecendo uma íntima relação entre Volume e Intensidade (interdependência não muito respeitada pelos técnicos Asiáticos), mas que, com um jeitinho bem Brasileiro, pudemos adequar, alterando consideravelmente as cargas dos treinamentos diários.

   Como exemplo disso, eu posso citar o trabalho de Resistência de Velocidade (C C V V) ou 'Corrida Com Variação de Velocidade', pois aqui, mais do que nunca, o descanso entre as repetições em uma sessão de treino é muito importante e deve ser controlado, uma vez que o trabalho de "pouca" intensidade permite que, após os trabalhos de "alta" intensidade, os músculos mantenham a excitabilidade do Sistema Nervoso Central em nível suficientemente elevado.
Clique na imagem para ampliá-la!

   Aqui está exemplificado a necessidade dos repousos ativos e passivos dentro de uma mesma atividade física.


   Quando eu falo em adaptações entre Asiáticos e Brasileiros quanto à forma de se trabalhar, é para que os ganhos provenientes desses ajustes sejam canalizados diretamente aos atletas, e que assim venhamos à diminuir, e muito, os casos de lesões por excesso de treinamento e, por conseguinte, permitir que os atletas desfrutem de melhorias crescentes e seguras com relação às suas performances nos treinos, o que lhes proporcionará evidentemente maiores participações em cada competição que o nosso clube estiver envolvido.





  Para finalizar, vou postar os resultados da Avaliação Física da Composição Corporal, realizada no ano de 2012, do Atleta e capitão da equipe sul-coreana do Daegu FC, Yoo Kyoung-Youl, nascido em 15 de Agosto de 1978 - 1.82 cm - Zagueiro.

Primeira Avaliação - dia 05 de Março de 2012

  • Peso Corporal - 85.2 kg
  • Massa Gorda - 13.40 kg
  • Massa Magra - 69.47 kg
  • Taxa de Gordura - 15.73%
Walter Grassmann conversando com o Atleta Yoo Kyoung-Youl, Zagueiro do Daegu FC.

Última Avaliação - dia 11 de Setembro de 2012

  • Peso Corporal - 90.0 kg
  • Massa Gorda - 11.67 kg
  • Massa Magra - 78.33 kg
  • Taxa de Gordura - 12.97%
   Esses dados só comprovam a evolução desse atleta, e com isso fica evidente que ele obteve melhores índices em termos de Força, Resistência e Potência de forma muito segura e com menores gastos energéticos, que lhe permitiram excelentes desempenhos na segunda melhor campanha desse querido clube sul-coreano em sua história.

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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A Arte da Adaptação

Time Libanês do Olympic Beirut FC
   Nas duas últimas temporadas, obtive o privilégio de trabalhar em dois países Asiáticos, as maravilhosas Coréia do Sul e China.

   Nas temporadas 2002/03/04 eu já havia angariado uma fabulosa experiência profissional e particular ao trabalhar no futebol Libanês. Para o meu crescimento profissional, essas passagens internacionais me descortinaram novos aspectos dentro da minha área de atuação, ou seja, a Preparação Física.

   Sendo eu um Preparador Físico Brasileiro com passagens por grandes clubes em meu país, pude participar de muitas competições simultâneas, além do que, sendo o Brasil um país com proporções continentais, as viagens são longas e extremamente cansativas, preocupando à todos com os desgastes provocados com as mesmas, somado ao desgaste que normalmente é advindo dos jogos.

Crioterapia realizada após os jogos na Coréia do Sul.
   Sempre adotei, em conjunto aos meus companheiros de Comissão Técnica (Fisiologista, Nutricionista, Fisioterapeutas, Médicos, Massagistas, companheiros de Preparação Física e Técnicos), programas de prevenção à lesões, bem como Atividades Regenerativas diversas pós-treinos e jogos devido a alta sobrecarga na intensidade das partidas, além, é claro, da quantidade exacerbada das mesmas.
   Um dos princípios básicos em que me atenho, é o de nunca levar os atletas a uma exaustão completa ao final de uma sessão de treinamentos, pois agindo assim todos poderão recuperar-se condizentemente para o próximo treino.

   Na Ásia, me deparei com um sistema de trabalho muito diferente do empregado no Brasil, principalmente porque o controle fisiológico não é executado com o rigor que eu estava acostumado em meu país, e o controle dos treinamentos é monitorado apenas pelo tempo compilado pelo cronômetro dos Técnicos e seus respectivos Auxiliares.

   Apesar de insuficiente, esse monitoramento ainda deixa lacunas em aberto quanto aos processos de controle da intensidade pela frequência cardíaca e distância (uso do GPS) ou até pelo Lactato (quando das paradas durante os treinos para tal mensuração).

Controlar sempre será imprescindível!
   Um outro fator importantíssimo que sempre fez parte da minha vida profissional (aqui na Ásia é ainda pouco realizado e acompanhado), é a realização de uma programação prévia dos trabalhos à serem realizados no referido mês, uma vez que apenas me deparei com programas semanais especificando apenas os treinos como Técnicos - Táticos ou Físicos, e não adentrando nos aspectos mais científicos e específicos dos mesmos.
   No início realmente não foi fácil para mim, uma vez que eu vinha de uma escola bem diferenciada à nível de Preparação Física, onde o Preparador Físico é muito mais exigido ao longo de toda uma temporada através da execução das Avaliações Físicas periódicas, dos trabalhos diários específicos, aquecimentos e regenerativos pós-treinos e jogos, além de também acompanhar de perto a alimentação do meus atletas em conjunto à Nutrição.

Almoço na cidade Chinesa de Hangzhou, com o Técnico Li Shobin e seu Auxiliar.
  Tanto na China quanto na Coréia do Sul nesta minha segunda temporada (2013), eu tive o privilégio de trabalhar com dois técnicos sensacionais que me permitiram opinar e participar mais incisivamente nas programações e suas respectivas execuções práticas, e, com isso, incorporar a ciência na prescrição dos treinos físicos, elaboração de trabalhos regenerativos mais diretos pós-treinos e jogos, além de também aplicar alguns testes que nos informavam sobre as reais condições dos nossos atletas.

   Em seu livro 'Periodização (Teoria e Metodologia do Treinamento)', o Dr. Bompa nos diz que "o Planejamento é a arte de empregar a ciência na estruturação de programas de treinamento.".

   Com essa abertura conquistada junto aos Técnicos Li shobin (Chinês) e Back (Sul Coreano), mediante o respeito às suas conceituações sobre os controles diários nos treinos e minhas opiniões mais científicas ministradas sempre que possível (e em doses homeopáticas no princípio), pude começar a elaborar e executar trabalhos de Força e comprovar na prática que, sem a mesma, nenhum trabalho no futebol é realizado com segurança e alto aproveitamento.
Da esquerda para a direita: Ex-Técnico da Seleção Sul Coreana na Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, Walter Grassmann e o Técnico do Daegu FC na temporada 2013, Coach Back.
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sexta-feira, 5 de julho de 2013

Centésima


   No dia 3 de Julho de 2013, jogando no Daegu Stadium, a equipe do DAEGU Football Club conquistou a centésima vitória de sua história na 'K League' ao vencer a equipe do Gyeongnam FC por 3x2. A partida foi válida pela 17ª rodada da K League Classic 2013. Após a partida uma grande comemoração aconteceu no estádio, levando os jogadores para o meio da torcida aumentando ainda mais a euforia do momento!


   Parabéns à todos aqueles que fizeram e fazem parte do DAEGU FC. Uma grande história só é possível graças àqueles que deram o primeiro passo, acreditaram e lutaram para que tudo isso fosse possível!

   Fighting, Daegu! Muitas outras centenas de vitórias estão por vir...

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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Daegu F.C. - Uma programação com a máxima segurança!

   Neste último dia 12 de novembro de 2012, completei 10 meses à frente da Preparação Física do Daegu FC, equipe sul-coreana que disputa a K-League e a Copa da Coréia, e que está localizada na bela e moderna cidade de Daegu, com seus 2 milhões e 500 mil habitantes.
   Um dos mais temíveis males que tem assombrado as equipes de futebol por todo o mundo, e que pode ser ocasionado por uma série de fatores, dentre eles, o  excesso de jogos à que estão expostos os atletas profissionais em muitas competições durante a mesma temporada além do ritmo bastante intenso dos mesmos, sem um tempo hábil para uma recuperação completa, são as lesões musculares.

   Aqui no Daegu FC, investi muito em conjunto aos amigosFisioterapeutas Kim Ki Hyun , No Hyun Wook e Felipe Herrmann, na recuperação dos nossos atletas profissionais pós-treinos e jogos, além de formatar mensalmente uma programação física em conjunto aos trabalhos técnicos, obedecendo sempre a uma interdependência Volume-Intensidade das nossas sessões de treinamentos.
   Realmente não inventei nada novo ou usei alguma fórmula mirabolante que outros grandes profissionais que atuam em minha área já não tenham utilizado, mas fui sempre muito criterioso quanto ao emprego destas atividades até agora.

   Aqui na Ásia, me deparei com uma cultura alimentar muito diferente e que não está propensa à mudanças, mas, mesmo assim, implementamos um aporte maior na ingesta de carboidratos em nosso cardápio diário.

   Logo após o termino das partidas disputadas aqui no Daegu Stadium, no próprio vestiário servíamos 6 pizzas grandes aos nossos atletas, para que a reposição do glicogênio muscular quase que totalmente depletado já pudesse começar à ser reposto, pois essa operação orgânica precisa de 36 à 48 horas para processar-se completamente.
   O tempo de reposição alimentar é critico, devendo-se tentar ingerir aproximadamente 50g de carboidrato ou mais nas primeiras duas horas após o jogo, pois quando o carboidrato é ingerido imediatamente após o exercício, a taxa de absorção é mais rápida e essa rotina contribui para o aumento do nível de glicogênio muscular pré-jogo.

 

   Desde o dia 24 de janeiro deste 2012 até o último dia 23 de outubro, ministrei doses diárias de creatina aos nossos atletas profissionais, iniciando o processo com 3 gramas e passando à ministração de 5 gramas diárias, sendo a primeira etapa de 3 gramas ministrada entre 24 janeiro à 20 maio e a segunda etapa de 5 gramas, entre 22 junho à 23 outubro.
   A creatina exerce papel importante na contração muscular servindo como reserva energética que será utilizada em atividades físicas de curta duração e alta intensidade e com curtos períodos de recuperação.
   Dentre os efeitos da suplementação, está o aumento de reservas musculares de creatina, aumento do volume muscular e aumento da resistência à fadiga muscular.

   Utilizamos também a Crioterapia com uma duração média de 8 minutos por imersão  pós-jogos e quando da reapresentação dos atletas no dia seguinte, após o trabalho regenerativo (musculação ou ginástica aeróbica) quando jogávamos 2 vezes na semana.
   Quando jogamos aqui no Daegu Stadium temos à nossa disposição no próprio vestiário uma piscina ladrilhada média com capacidade para acomodar até 8 atletas, mas para as partidas disputadas fora, adquirimos 2 piscinas pequenas e as transportamos em nosso ônibus, para a realização pós-jogo da crioterapia.
   Apesar de toda a controvérsia quanto aos benefícios (comprovados cientificamente ou não) do uso desta técnica, ela nos foi muito importante para a recuperação dos nossos atletas, pois todos, sem exceção, apresentavam-se no dia seguinte para o trabalho regenerativo sem dores musculares.
Outro fator muio importante que muito contribuiu para a nossa segurança física no desenvolvimento das sessões de treinamento e nas partidas, foi a realização efetiva da propriocepção, ou seja, o Core Training.


   Periodicamente realizamos o Core para uma estabilização muscular, ativando impulsos proprioceptivos que são integrados em vários centros sensorimotores para regular automaticamente os ajustes na contração dos músculos posturais, mantendo assim o equilíbrio postural geral e o fortalecimento da musculatura mais profunda.
   Os benefícios principais são, a melhora do equilíbrio, força e agilidade.
Outro controle que foi realizado por mim aqui no Daegu FC foi o da Composição Corporal, sendo este um excelente mecanismo para se averiguar a manutenção do peso corporal, ganhos reais de massa magra (músculo) e perda de massa gorda (gordura), além de um controle para orientação nutricional.
   O Percentual de Gordura corporal foi estipulado em até 12%, mas podendo, dependendo da posição (goleiros) e a idade (atletas acima de 27 anos têm a tendência de perder menos massa gorda), chegar à 13/14%.
São usadas o somatório de 4 dobras cutâneas: Triciptal, Subescapular, Suprailíaca e Abdominal.
Essa fórmula (Faulkner), é muito utilizada pelos clubes brasileiros, mas para uma maior fidedignidade dos percentuais, é fundamental que as tomadas se processem sempre pelo mesmo avaliador, pois existem diferenças significativas quando outros realizam o processo.

Fórmula: 
Somatório das 4 dobras cutâneas x 0.153 + 5.783 = Taxa Gordura (%);
Peso Gordo (Gordura) = % Gordura (Taxa Gordura) Dividida por 100 x Peso Corporal (atual);
Peso Magro (Músculo) = Peso Atual - Peso Gordo (Gordura) = Músculo.

   As tomadas foram realizadas entre 30 e 45 dias de diferença umas das outras, e os resultados excepcionais em termos de manutenção do peso corporal (taxa de gordura) com consequente perda de massa gorda (gordura) e ganho de massa magra (músculo).

   Com o peso corporal controlado (um ganho real de massa magra com perda de massa gorda) certamente irá existir uma maior economia em termos energéticos dispendidos nos jogos e treinos (resistência) e consequentemente um ganho real também em termos de força e potência para a realização das inúmeras ações em campo (saltos, arranques, chutes, deslocamentos variados, dribles, etc), gerando uma economia e segurança enormes para os referidos atletas.
   Como exemplo desses ganhos reais e seguros, vou citar os dados aferidos nesta atual temporada (2012) do nosso Capitão, o fantástico atleta YOO KYOUNG YOUL de 34 anos (15/08/78), Zagueiro com 1.82cm.

A primeira avaliação, realizada no dia 05 de março:
  • Peso Corporal: 85.2kg
  • Massa Gorda: 13.40kg
  • Massa Magra: 69.47kg
  • Taxa Gordura: 15.73%
A última avaliação, realizada no dia 11 de setembro
  • Peso Corporal: 90.0kg
  • Massa Gorda: 11.67kg
  • Massa Magra: 78.33kg
  • Taxa Gordura: 12.97%

   A Hidratação dos nossos atletas, também recebeu uma atenção especial, e ministrei durante grande parte da  K-League a Maltodextrina, que é um Carboidrato complexo em pó e composta por uma mistura de Dextrina e Maltose.

   Ela retarda a fadiga, através da gradual liberação de glicose para o sangue, sendo esse Carboidrato responsável pelo aumento do nível energético muscular. dando mais força, evitando o Catabolismo Muscular (perda de músculo).
   Mas nosso estoque trazido do Brasil por nós quando da nossa estadia na cidades de Curitiba e Foz do Iguaçu para a realização de nossa Pré-Temporada, acabou, e não consegui mais comprá-la na Coréia do Sul e nem importá-la.
   Após esse ocorrido, passamos a ministrar o Gatorade, que repõe energia e o sal, sendo uma excelente bebida Isotônica, ou seja, sua composição apresenta uma concentração de moléculas semelhante aos fluídos do nosso corpo, e, portanto, podem ser incorporados e transferidos para a corrente sanguínea.
   Com isso mantemos o Equilíbrio Hidro-Eletrolítico, pois a atividade intensa e prolongada causa a transpiração do corpo, e assim, a perda de Sais Minerais, principalmente Sais de Sódio, importantes para o equilíbrio orgânico, que tecnicamente chama-se Hidro-Eletrolítico, pois, para a maioria das funções de contração muscular do nosso corpo, os minerais como Sódio, Potássio, Magnésio, Cálcio, entre outros, são importantes.

   Utilizamos também o Carb-up, que é um Gel, ministrando-o gelado aos atletas tanto no aquecimento quanto no intervalo da partida.
   Por ser de fácil e rápida ingestão, é rapidamente utilizado pelo organismo. Contém açúcar puro, preservando assim a Glicose Sanguínea, fator importantíssimo para a recuperação dos atletas após extenuantes exercícios. Deve ser ingerido seguido de uma boa quantidade de água.

   Todos esses controles, desde os treinamentos físicos e suas respectivas cargas, as horas trabalhadas diariamente, semanalmente, e mensalmente, a Alimentação, Hidratação, controle de Peso Corporal, Ganhos Reais de Massa Magra com Perda de Massa Gorda, a Suplementação de Creatina e os cuidados com os Trabalhos Regenerativos, etc, acabam por FORMATAR O OCEANO DA SEGURANÇA.
   O nosso resultado para todo esse esforço conjunto - PREPARAÇÃO FÍSICA / FISIOTERAPIA, foi um índice quase zerado no tocante à Lesões Musculares, pois em 10 meses de intensos treinamentos e ritmo altíssimo nas partidas disputadas pela K-League e Copa da Coréia, tivemos apenas 1 LESÃO MUSCULAR GRAU 1.
   Com esses procedimentos, ficou comprovado, na prática, que as lesões musculares não podem ser evitadas, mas elas podem ser MINIMIZADAS, gerando uma grande economia ao clube, pois seus atletas estarão trabalhando com muita segurança, além de atuarem oficialmente pelo clube em muitas partidas.

DAEGU FC, UM CLUBE DIFERENCIADO!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Coréia do Sul - Nova rota profissional


   Desde o dia 12 de janeiro deste 2012, estou desfrutando de um renovo profissional trabalhando na equipe sul-coreana do Daegu F.C.. Uma nova experiência internacional proporcionada pelo meu Senhor e Salvador Jesus Cristo, e muito bem aproveitada por mim com a realização de mais uma vez de um trabalho bem programado e controlado.

   Resido na agradável cidade de Gyeongsan, separada da grande cidade de Daegu (com seus 2 milhões e 500 mil habitantes), por apenas 4 km. Um lugar muito agradável e seguro, rodeado de grandes montanhas e um belo riacho que serpenteia essa geografia abençoada com suas águas piscosas e cristalinas.




   Minha atual equipe disputa a K-League (Primeira divisão sul-coreana) e também a Copa da Coréia. A K-League é disputada por 16 equipes e apresenta um ótimo nível técnico, embora a forte marcação e intensa movimentação dos atletas prevaleçam em todas as partidas.
   Realizamos nossa pré-temporada no Brasil, sendo as cidades de Curitiba (25 dias) e Foz do Iguaçu (10 dias), as escolhidas para nos receber em solo brasileiro.
   Na maravilhosa Curitiba, realizávamos nossos trabalhos no local de nossa estada (Sportsville) e também no Centro de Treinamento do glorioso Coritiba F.C.. Na aconchegante Foz do Iguaçu, nos hospedamos no sofisticado Bourbon Cataratas Hotel.

Eu com o Prof. Juvenilson de Souza. Amigo e excelente profissional.

Realização do "Soccer Test Yoyo Recovery II"
   Foram 35 dias obedecendo uma programação cientificamente elaborada e acompanhada pelo Dr. Raul Osiecki, amigo e competente Fisiologista do Coritiba F.C., onde realizamos todas as avaliações ("Taxa de Gordura", "Speed Test" (10 - 30m), "Agility Test" (20m), "Jump Test", "Soccer Test Yoyo Recovery II").
   Realizamos também vários jogos treinos contra adversários diferentes, além de enfrentarmos por 2 vezes cada, a dupla Clube Atlético Paranaense e Coritiba F.C..

   No dia 15 de fevereiro, retornamos para a Coréia do Sul, e já no dia 20 retornamos aos treinamentos, visando nossa estréia pela K-League 2012 contra a grande equipe do Seoul (1x1) às 15 horas no Daegu Stadium.
   Até agora (08 de outubro), realizamos 34 jogos pela K-League (12 vitórias / 10 empates / 12 derrotas), tendo ainda pela frente mais 10 rodadas, com o encerramento da atual temporada no dia 2 de dezembro.
   Estou totalmente adaptado juntamente com a minha família à vida nesta Coréia do Sul maravilhosa, e tenho o desejo de aqui permanecer por mais alguns anos, mas, o futuro à Deus pertence, e somente compete à minha pessoa continuar realizando meu trabalho com toda a dedicação, amor, competência e profissionalismo que sempre me acompanharam ao longo de toda a minha carreira.